sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Baile de mascara


"Viver de aparências é o único meio que encontramos de nos esconder sob uma mascara."

Mantenho-me calma, sorrio, não transpareço. Aparento um sorriso forçado, meio acanhado como o de uma criança que não sabe o que fazer. Continuo a andar, um pouco sem falar, às vezes me pego a suspirar por alguma coisa que ainda desconheço.

Fico com medo, fria, pálida, o vermelho destaca, mas aos poucos realça. Olho atentamente para o nada e percebo que nem o sol e muito menos a lua poderiam me salvar agora.

A se por algum momento eu tivesse a esperança de apagar um passado, e se em algum instante alguém transformasse em cinzas a dor, a maldade o sofrer. Como desejei o abraço mais seguro e apertado, implorei por um modo de me esconder, mas nada, nem um sussurro grosso na escuridão, nada do que eu disse, digo ou faço mostra um merecer de compaixão, de companhia, de amor. Ao invés disso sinto com o passar do tempo mais medo, pavor do que se esconde por trás de alguém que observa, insegurança por um passado, um presente e alguém que não pode negar o seu futuro, ou o simples apogeu inegável em que as mascaras cairão e ninguém mais vai poder fugir da verdade.

Somos tão monstros quanto humanos, mas somos mais humanos do que monstro, o que torna nossa dor e nossa crueldade mais forte, claramente por sermos humanos mantemos as aparências e só no momento certo mostramos quem realmente somos. Maliciosos sanguinários, em busca de poder e vigor, sacrifícios não são nada quando temos tudo e ainda queremos mais.

Sei quem eu sou e tenho tanto medo quanto as pessoas que se sentem inseguras perto de mim sem nem mesmo saberem o porque. E mesmo assim é com uma facilidade estrondeante que elas se aproximam, sem ao menos desconfiar que isso possa transformá-las em algo que elas nunca imaginaram ser. Como alguém com tantos segredos pode passar a imagem errada de segurança quando nem mesmo eu me sinto segura.

Não pense que porque sorrio te agrado, tenha medo do meu sorriso malicioso e da imagem que transparece do meu ser, eles não merecem nem um segundo o intenso olhar que alguém tão real joga para dentro de meus olhos, e faz com que acredite na existência de algo tão utópico quanto o amor.



1 Comentários:

Às 16 de dezembro de 2010 às 05:09 , Blogger Pequenas Resenhas disse...

http://www.youtube.com/watch?v=ljygpTJMv1w&feature=related

 

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